WORKSHOP MAIKON K [TRANSGRESSÕES PERFORMÁTICAS]
SELF-UNCENSORED
Workshop: Performance
Perfil: Dirigido a criadores das artes cénicas e performance
Datas: 20 a 24 de julho de 2026
Horário: 19h30–23h30
Local: Polo Cultural Gaivotas | Boavista, Lisboa
Idioma: Português
Participação gratuita
Número máximo de participantes: 13
Data limite de candidatura: 19 de Junho de 2026
Notificação dos candidatos selecionados: até 1 de Julho de 2026
Formulário de candidatura: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfdR-aEpdfqbflaAFnaf4406keUrCWvizBmnQhnxwjfq-kbMg/viewform?usp=header
Investigaremos maneiras de alterar a percepção sensorial, desafiando normas sociais e noções de realidade. O foco será a criação de experiências para a reconfiguração dos sentidos, individuais e coletivos.
O conceito de transgressão servirá como fio condutor, provocando-nos a pensar de que formas a arte pode estranhar o mundo, perturbando categorias e comportamentos. Um corpo, ao não se identificar apenas como humano, desafia os estatutos sociais através do deslocamento dos sentidos e da linguagem. Um corpo pode tornar-se outras coisas e outros seres e, assim, colocar o mundo em estado de delírio e risco, criando as suas próprias regras.
Como entender os limites da sociedade e do corpo e usá-los como matéria de trabalho? A transgressão será abordada como uma “disposição radical ao deslocamento”, força capaz de mudar a posição e o estado das coisas. Vamos praticar a utilização dessa força-conceito para criar ações e experiências.
Algumas questões a explorar:
— O corpo como travessia
Descobriremos como tempo, espaço e identidade podem ser alterados através de ações e práticas corporais. Que limites ainda podem ser ultrapassados quando já vivemos um quotidiano de condições insuportáveis — de predação e exploração do ambiente e dos corpos? Que limites são realmente reais?
— Poéticas escatológicas
O abjeto viola padrões estéticos ao mesmo tempo que fascina pela potência do seu estado bruto. Classificar o desvio como patologia é retirar-lhe a sua força contestatória.
Que estratégias de confronto, comunicação e ruptura pode um/a artista construir ao lidar com estas questões? O que provoca o choque dos sentidos e por quê? Que ações e situações colocam em risco os padrões da civilização e a própria ideia de humanidade?
— O trânsito entre linguagens
A arte da performance contaminou todos os campos da arte, da comunicação e do entretenimento. Isto demonstra a sua força ou anuncia o seu fracasso? Em que medida a performance ainda nos desafia?
Como abrir-se à promiscuidade de formas e sentidos? O que atravessa e impulsiona um/a artista no momento de configurar as interfaces do seu trabalho?
— Experiências com materiais e arquivos de artistas
Como estabelecer relações com diferentes materiais e deixar-se transformar por eles? O que os materiais nos ensinam e a que nos convidam?
Também vamos olhar para ações de outros artistas, examinando como uma questão pode se desdobrar em diferentes formas e contextos.
Maikon K é um artista brasileiro que trabalha entre a performance e a dança. Atualmente vive no Rio de Janeiro, onde frequenta o mestrado em Artes da Cena na UFRJ, desenvolvendo a criação de uma “pedagogia da transgressão” através da performance arte.
Em 2020 mudou-se para Berlim com o apoio da Martin Roth Initiative, instituição que protege e apoia artistas em risco, após episódios de censura ao seu trabalho no Brasil. Em 2022 recebeu a bolsa Weltoffenes Berlin, em parceria com a Tanzfabrik, para investigar a transgressão no campo das artes.
Como artista solo, criou peças que investigam o corpo xamânico, poéticas escatológicas e estados alterados de consciência. Em 2015 foi convidado por Marina Abramović para apresentar a performance DNA de DAN na exposição Terra Comunal, em São Paulo.
Em Berlim colaborou como dramaturgo com as coreógrafas Michelle Moura (Overtongue, Lessons for Cadavers, Boca Cova) e Renae Shadler (Under my Gaze, Greyline), tendo também orientado aulas na HZT – Universidade de Dança de Berlim.
Apresentou o seu trabalho em importantes festivais no Brasil, bem como em Portugal, Itália e Alemanha.
Maikon K
Artista de performance e dramaturgo
Formulário de candidatura
• Nome
• E-mail
• Número de telefone
• Cidade / País de residência
• Breve biografia
• Link para um vídeo de trabalho anterior (obra completa)
Formulário de candidatura: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfdR-aEpdfqbflaAFnaf4406keUrCWvizBmnQhnxwjfq-kbMg/viewform?usp=header
Contacto para informações adicionais:
+351964728435
Maikon K integra o Festival Self-Uncensored, edição [ON VOICE], apresentado no dia 19 de Julho de 2026, na Sala Estúdio Valentim de Barros, Lisboa.*
Self-Uncensored é um projeto que questiona as formas contemporâneas de censura em contextos “democráticos”, com foco nos mecanismos que conduzem à autocensura e à censura interiorizada, através de um programa artístico apresentado ao longo de vários meses em formato de festival expandido.
Produção: ORG.I.A (SELF-MISTAKE)
Parcerias: Largo Residências e Polo Cultural Gaivotas | Boavista
Apoios institucionais: Câmara Municipal de Lisboa – Cultura e República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
*PERFORMANCE-CONFERÊNCIA (integrado no SELF-UNCENSORED [ON VOICE])
O lobo e o salmão são livres para matar - Maikon K
Performance como estado de exceção. Nesta fala-ação que conspira, Maikon K tece relações entre crime, arte e profanação – na busca por um corpo que desafie os estatutos das leis. Existem mesmo limites intransponíveis para os seres humanos ou podemos contrariar essa ficção? E se juntos decidirmos que não somos humanos? Que outra coisa desejaríamos ser?
