Se não podes vence-los junta-te a mim

Bios

Andreia Farinha e a Truta no Buraco

Tenho vivido o teatro através dos meandros mais poluídos, mais erráticos, sempre nas bordas
da institucionalidade.
Depois de terminada a licenciatura na ESTC completei o tirocínio da minha educação, como
artista e como vertebrada, a servir galões ou mojitos nos estabelecimentos menos afamados da
capital.
Fui fazendo algumas peças de minha autoria à margem dos biscates remunerados, com as
gentes que se solidarizavam com esta forma fortuita de produzir teatro.
Formou-se um género de bando, composto por uma espécie indigente da cultura. Foi-se
consolidando um estilo e uma equipa. Temos nos últimos anos vindo a pensar socialmente a
vida e a cultura, despertos para a clarividência de que a nossa condição assim o exige. A
solidão a nós não nos privilegia. Consideramos que a prática artística não deve ser auto
contemplativa, deve antes produzir perspectivas, curiosidade, pontes.
Sem termos sido muitas vezes bafejados pelos apanágios do mecenato cultural não sobejam
no currículo nomes balofos nem épicos feitos nos meios oficiais das ditas lides artísticas. Abrigo
no entanto a convicção de que este grupo está genuinamente empenhado em produzir
pensamento crítico sobre o mundo através de uma cultura mais acessível e menos apelintrada
e piegas politicamente. E assim, quixotescamente, temos vindo a aprimorar-nos nos meandros
das artes a que, para mal dos nossos pecados, decidimos dedicar-nos.