Époché

Ana Libório

Époché ou epokhé é um projeto artístico que deriva do termo grego que significa colocar entre parênteses, é a atitude de não aceitar nem negar uma determinada proposição ou um juízo.

O corpo-objeto como afirma Michael Foucault, é um corpo sem visibilidade própria nem projecção qualquer numa espectularidade das relações individuais e sociais.  A máquina opressiva denuncia as falhas num corpo que se perde gradualmente. 

No final do século XX, a burguesia ocidental perdeu todos os seus gestos. A classe dominante conduz através de etapas de produção todos os corpos de que dispõe, os corpos margens, os corpos mutilados, cujo movimento é de intervenção parcelar e repetitiva, cancela o fim de um corpo sujeito global, rico em múltiplas redes relacionais com o mundo e consigo-próprio. Os exilados da história, as margens do pensamento onde vagueiam os homens sem nome, aqueles que não encontram um sinal legítimo ou ilegítimo que os assinale no grande anuário das ideias atuais. Os indivíduos fora do seu tempo, retidos no tempo, fora da história e da religiosidade para território de conceptualização aquém de uma ideia. Corpos disjuntos de toda a autoridade estabelecida.

 

Patrick O'Beirne