SELF-UNCENSORED [ON VOICE] | ARTISTAS E PROJETOS
SELF-UNCENSORED
Gaya de Medeiros
mamãevocêpapai
Concepção: Gaya de Medeiros
Criadores e intérpretes: Paula Diogo, Tonan Quito e Gaya de Medeiros
Luz e espaço: Tiago Cadete
mamãe é uma palavra mas também pode ser várias imagens. Utilizando-se de referências da psicanálise e dos arquétipos que habitam nosso imaginário, trafegar pelas bases da sexualidade e dar corpo ao inconsciente. Nesse caso, falar do inconsciente será tentar perseguir a palavra “papai”, por exemplo, materializando as imagens como elas se apresentam, sem moralismos, e dar espaço para sua abstração, nonsenses e pulsionalidades. Assim, retirar as fantasias sexuais do imaginário comum - do couro, das máscaras e do chicote - e pensar nelas como uma possibilidade de materializar algo muito interno e muito difícil de falar de outra forma.
Gaya de Medeiros é bailarina, atriz e encenadora. Já trabalhou com diversas coreógrafas e encenadores em Portugal . Criou os espetáculos Atlas da Boca(2021), BAqUE(2022), Pai para Jantar(2023), Cafezinho (2024) e Corre Bebé (2025), que já viajaram por mais de 16 países e 28 cidades. No cinema, protagonizou a curta Um Caroço de Abacate, de Ary Zara, premiado em diversos festivais. Fundou a BRABA.plataforma que visa apoiar, viabilizar e financiar iniciativas protagonizadas/direcionadas para a comunidade trans e não binária.
A pesquisa de Gaya concentra-se na expansão das narrativas autobiográficas e na tensão entre o corpo, a palavra e o público.
Josefa Pereira
Flecha Dourada
Concepção e performance: Josefa Pereira
Colaboração artística: Catarina Vieira
Agradecimentos: Lucas Damiani, Maura Grimaldi e Natália Mendonça
Uma aljava é uma bolsa, tradicionalmente usada por arqueiros e destinada a carregar flechas. Certa vez disseram que “O artista vem ao mundo com uma aljava que contém um número limitado de flechas douradas. Ele pode lançar todas as suas flechas quando é jovem, ou lançá-las na idade adulta, ou até já em velho.”
Ao me deparar com esta imagem, uma lista enorme de perguntas proliferam em minha cabeça. Nesta conferência-performance, me debruço sobre esta série de indagações que se desencadeiam e investigam noções sobre produtividade, trabalho, linearidade, envelhecimento, privilégio, e tantas outras mais.
Josefa Pereira (BR/PT) é coreógrafa e performer. Reside em Montemor-o-Novo e também transita entre criações e colaborações no contexto de São Paulo, cidade onde cresceu e se formou artisticamente. Passou pelo PACAP, no Forum Dança, e concluiu o seu mestrado na DAS Choreography – AHK (NL) como bolseira da Fundação Gulbenkian. Graduou-se em Dança e Performance na PUC-SP (BR) como bolsista do programa PROUNI.
A sua atenção concentra-se na escuta e na sensibilidade que emergem das relações e fricções entre as diferentes matérias envolvidas na criação de um gesto coreográfico. Com forte orientação para a prática e a pesquisa, a sua abordagem artística parte do uso de materialidades disponíveis, que podem revelar-se fabulosas, encantadas ou monstruosas. Valoriza processos interseccionais e colaborativos, capazes de gerar transformações e ativar outros potenciais políticos e poéticos.
Além do seu trabalho autoral e de atividades de ensino em dança, que incluem aulas e workshops, Josefa atua como performer e faz colaborações no campo da dramaturgia, desenvolvendo metodologias de acompanhamento junto de artistas nos seus diversos processos de criação.
Atualmente, tem-se dedicado à criação e circulação dos seus trabalhos, incluindo a trilogia Bestiário PINK e Chama Chama Chama, e de uma nova criação com estreia prevista para 2027. Integra contextos coletivos e colaborativos como Piscina, Matéria Leve e Matilha.
Lígia Soares
Ajuste de Contas
Concepção e performance: Lígia Soares
Trazendo à luz questões muitas vezes remetidas para a obscuridade por uma aspiracional ideia de classe média generalizada que, durante muito tempo, serviu para emudecer as desigualdades sociais. Em "Ajuste de Contas", Lígia Soares propõe-se usar o público presente, numa performance que decorre na presunção de que é possível distribuir os nossos benefícios sociais de modo a compensar o passado e a assegurar o futuro. Analisando as vantagens e desvantagens com que nascemos, as carências e privilégios que incorporamos, numa espécie de estudo comparativo que pretende reequilibrar as contas entre um temporário grupo de pessoas, implicando-as na reparação do seu passado e na sustentabilidade do seu futuro.
Feitas as contas, pretende-se falar de dinheiro e sustento, bens e privilégios, na primeira pessoa, tirando esses temas do lugar censurável para o qual a ideia liberal de meritocracia os remeteu.
Lígia Soares é coreógrafa e dramaturga. Começou o seu trabalho profissional com a Companhia de Teatro Senssuround, em 1997, e licenciou-se em Dança pela Escola Superior de Dança de Lisboa, em 2003. Em 2001, fundou com a sua irmã Andresa Soares a Máquina Agradável. Foi artista residente da Tanzfabrik-Berlin e bolseira da DanceWeb em 2008 (Viena). Em 2022 criou a Romance Associação Cultural, a partir da qual produz atualmente o seu trabalho, presente em vários programas nacionais e internacionais de teatro e dança contemporânea.
Desde 2015, prossegue uma pesquisa sobre como criar dispositivos cénicos inclusivos da presença do espectador, como em Romance, Turning Backs, Cuore ou Ato da Primavera. Fez criações e escreveu para várias companhias e artistas, como Rita Vilhena, Miguel Castro Caldas, Henrique Furtado Vieira, Teatro Meia Volta..., Amarelo Silvestre, Paula Diogo, Cem Palcos, Escola de Mulheres, Teatro Experimental do Porto, Plataforma UMA e Companhia Ar Quente, entre outros. É mentora em diversos programas de criação de textos dramáticos e colabora regularmente como dramaturga em projetos de dança e teatro.
As suas peças Romance (2015), Cinderela (2018), Civilização (2019), Memorial (2020), A Minha Vitória Como Ginasta de Alta Competição (2023) e Dressing Room (2025) estão editadas pela Douda Correria. A peça Um Nó Apertado foi publicada pela Urutau. Em 2020 foi bolseira da DGLAB – Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, na área de texto dramático.
Maikon K
O lobo e o salmão são livres para matar
Performance como estado de exceção. Nesta fala-ação que conspira, Maikon K tece relações entre crime, arte e profanação - na busca por um corpo que desafie os estatutos das leis. Existem mesmo limites intransponíveis para os seres humanos ou podemos contrariar essa ficção? E se juntos decidirmos que não somos humanos? Que outra coisa desejaríamos ser?
Maikon K é um artista brasileiro que trabalha entre a performance e a dança. Atualmente vive no Rio de Janeiro, onde frequenta o mestrado em Artes da Cena na UFRJ, desenvolvendo a criação de uma “pedagogia da transgressão” através da performance arte.
Em 2020 mudou-se para Berlim com o apoio da Martin Roth Initiative, instituição que protege e apoia artistas em risco, após episódios de censura ao seu trabalho no Brasil. Em 2022 recebeu a bolsa Weltoffenes Berlin, em parceria com a Tanzfabrik, para investigar a transgressão no campo das artes.
Como artista solo, criou peças que investigam o corpo xamânico, poéticas escatológicas e estados alterados de consciência. Em 2015 foi convidado por Marina Abramović para apresentar a performance DNA de DAN na exposição Terra Comunal, em São Paulo.
Em Berlim colaborou como dramaturgo com as coreógrafas Michelle Moura (Overtongue, Lessons for Cadavers, Boca Cova) e Renae Shadler (Under my Gaze, Greyline), tendo também orientado aulas na HZT – Universidade de Dança de Berlim.
Apresentou o seu trabalho em importantes festivais no Brasil, bem como em Portugal, Itália e Alemanha.
Maikon K
TRANSGRESSÕES PERFORMÁTICAS
Workshop
20 a 24 de Julho 2026 das 19h30-23h30, Polo Cultural Gaivotas | Boavista, Lisboa
Investigaremos maneiras de alterar a percepção sensorial, desafiando normas sociais e noções de realidade. O foco será a criação de experiências para a reconfiguração dos sentidos, individuais e coletivos.
O conceito de transgressão servirá como fio condutor, provocando-nos a pensar de que formas a arte pode estranhar o mundo, perturbando categorias e comportamentos. Um corpo, ao não se identificar apenas como humano, desafia os estatutos sociais através do deslocamento dos sentidos e da linguagem. Um corpo pode tornar-se outras coisas e outros seres e, assim, colocar o mundo em estado de delírio e risco, criando as suas próprias regras.
Como entender os limites da sociedade e do corpo e usá-los como matéria de trabalho? A transgressão será abordada como uma “disposição radical ao deslocamento”, força capaz de mudar a posição e o estado das coisas. Vamos praticar a utilização dessa força-conceito para criar ações e experiências.
Formulário de candidatura: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfdR-aEpdfqbflaAFnaf4406keUrCWvizBmnQhnxwjfq-kbMg/viewform?usp=header
Rubén Sabbadini
Tudo o que não consigo dizer
Concepção: Rubén Sabbadini
Luz e espaço: Tiago Cadete
Um dramaturgo interroga a sua autocensura e as suas contradições enquanto a extrema-direita avança desenfreadamente.
Rúben Sabbadini é autor, encenador e ator. Reside nas cidades de Lisboa, Portugal, e Buenos Aires, Argentina.
Formou-se em Representação na E.M.AD. e com Ricardo Bartís. Estudou Dramaturgia com Lola Arias, Rafael Spregelburd e Alejandro Tantanian.
Como autor e encenador estreou, entre outras obras: Surco (Una versión de Un Hembro), Um Femeo, 80 de un minuto, Trópico del Plata, Ruido de Hombre Fingiendo, No Apto, Plaga e Pluscuamperfecto, trabalhando em diferentes salas da cidade de Buenos Aires, como Vera Vera Teatro, La Carpintería, Espacio Callejón, Teatro Beckett, ELKAFKA, El Portón de Sánchez e Nun Teatro, entre outras.
Como autor, foi publicado pela INTEATRO e pela Editorial Escénicas da Universidade de Ciências Sociais UBA, e traduzido para português pela Dois Dias Edições, de Lisboa, Portugal.
As suas obras Trópico del Plata, 80 de un Minuto e Un Hembro obtiveram distinções e participaram em diversos festivais internacionais.
