Self-Uncensored [Talks on Choice] #1 | Autocensura do indivíduo | 22 fev

SELF-UNCENSORED

Self-Uncensored [Talks on Choice]

Ciclo de conversas sobre autocensura e escolha

Até que ponto escolhemos livremente quando algoritmos, instituições, emoções e normas moldam as nossas decisões? Até que ponto estamos conscientes dos mecanismos que antecedem a escolha e produzem autocensura — em nós e nos sistemas que habitamos? Self-Uncensored [Talks on Choice] é um ciclo de conversas que propõe um espaço aberto e informal de diálogo entre convidados responsáveis pelas intervenções de provocação e o público, onde a escuta e a divergência possam coexistir, criando pontes entre visões e modos de pensar a escolha e a autocensura. 
Parte do pressuposto de que a liberdade implica reconhecer diferentes experiências e aceitar o erro como parte de um diálogo que torne mais conscientes os mecanismos que antecedem a escolha — individuais e coletivos.
 

 

Encontro #1 — Autocensura do indivíduo
Mecanismos internos da escolha e da autocensura


22 Fevereiro (Domingo) · 15h–18h 
DuplaCena 77 (Regueirão dos Anjos 77 A)

Conversa
Em Português
Entrada Livre, sem marcação

 


 
 
A escolha antes da expressão e da ação. Antes do gesto público. Este encontro interroga os factores internos e invisíveis — emocionais, éticos e neurocognitivos — que informam as decisões individuais, muitas vezes fora do campo da consciência. A autocensura surge aqui como um processo antecipado: não como proibição externa, mas como gestão interna do risco, do medo e das consequências.

Convidados:
• Ana Pais - Dramaturgista e Investigadora de artes performativas - Emoções, livre arbítrio e liberdade
• Mafalda Sebastião - Jurista (Direito da cultura) - Escolhe-se entre a ética e o direito?
• Adrian Razvan Sandru - Investigador da Fundação Champalimaud — Autocensura: do mecanismo social ao instrumento político
• João Pedro Fonseca – Artista e co-director artístico/investigador na ZABRA - Criar entre o controlo e o descontrolo
 
Moderação:
Maria Giulia Pinheiro  - Escritora, encenadora e agitadora cultural 
 
 
 

Produção: ORG.I.A
Apoio: DuplaCena
Apoios institucionais: Câmara Municipal de Lisboa – Cultura e República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes

 


 
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Moderação:

Maria Giulia Pinheiro - Escritora, encenadora e agitadora cultural 

Maria Giulia Pinheiro (São Paulo, 1990) é artista do encontro, criadora, dramaturga, encenadora e agitadora cultural. Doutoranda na Universidade de Coimbra, recebeu o Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina em 2022. É autora de seis livros de poesia e dramaturgia, atua como diretora artística da FALA e é uma das colunistas do Público Br, caderno do Público voltado ao público brasileiro em Portugal. Criadora de espetáculos teatrais como Viemos Roubar os Vossos Maridos (2025) e A Palavra Mais Bonita(2019–), de projetos performativos como Todo Mundo SLAM (2019–) e Slam no CAM (2025–), também desenvolve espaços formativos como o Núcleo de Dramaturgia Feminista (2017–) e o ZONA lê (2014–). Em 2025/26, foi criadora, curadora, dramaturga e performer do Laboratório de Confluências, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da exposição Complexo Brasil. Mais em www.mariagiuliapinheiro.com

 

Convidados e intervenções:

 

Adrian Razvan Sandru  - Investigador da Fundação Champalimaud - Autocensura: do mecanismo social ao instrumento político

Como seres sociais, adaptamo-nos ao contexto em que nos encontramos, o que se reflete na forma como falamos e agimos em diferentes situações. A autocensura pode ser vista como um mecanismo de adaptação social, suprimindo o que é inapropriado ao contexto. Contudo, quando as dinâmicas sociais se desequilibram, levando a relações de poder assimétricas, a autocensura pode transformar-se numa ferramenta de opressão. Assim, a autocensura não só revela a nossa adaptação, mas também o equilíbrio ou desequilíbrio das relações de poder contextuais. Através de dois exemplos artísticos (literatura e performance), demonstrarei como a autocensura é escolhida e como o seu ato e modo revelam dinâmicas de poder.

Adrian Razvan Sandru concluiu o seu doutoramento em Fenomenologia na Universidade de Tuebingen, na Alemanha, em 2020, com uma tese sobre a natureza da subjetividade em situações liminares. Atualmente, é investigador de pós-doutorado na Fundação Champalimaud, contribuindo para a investigação translacional, com foco no desenvolvimento de estruturas conceituais e projetos experimentais naturalísticos para o estudo da experiência vivida. Publicou vários artigos, bem como um livro sobre o significado do eu em situações de incerteza, que contribuem para o desenvolvimento teórico de abordagens fenomenológicas às dimensões não racionais da subjetividade. Além disso, publicou vários artigos, um livro e um volume editado sobre moralidade e consequências sociopolíticas do pensamento filosófico, onde enfatiza o papel que a comunidade desempenha no bem-estar humano.

 

 

Ana Pais - Dramaturgista e Investigadora de artes performativas - Emoções, livre arbítrio e liberdade
 

Se as emoções condicionam as nossas decisões, e por isso são frequentemente usadas para nos influenciar, individual e socialmente, como sabemos se agimos em liberdade e em consciência? Isto é quão livre é o nosso livre-arbítrio?

Ana Pais é Investigadora Auxiliar (CEEC) no ICNOVA – Universidade Nova de Lisboa, dramaturgista e curadora. Actualmente é Investigadora Principal do projecto financiado pela FCT: FREEWILL: Livre arbítrio e o desejo de liberdade: afectos na performance da democracia". É doutorada em Estudos de Teatro (CET-UL). Em 2022-23 foi Professora Visitante no programa pós-doutoral de artes cénicas da UFBA (PPGAC), Salvador da Bahia. É autora dos livros O Discurso da Cumplicidade. Dramaturgias Contemporâneas (Colibri 2004), Ritmos Afectivos nas Artes Performativas (Colibri 2018) e Quem tem medo das emoções? (Performativa 2022). Organizou ainda a antologia Performance na Esfera Pública (2017, Orfeu Negro) e a sua versão em inglês disponível para download gratuito em www.performativa.pt. Foi crítica de teatro no Público (2003) e no Expresso (2004). Como dramaturgista, colaborou com criadores de teatro e dança em Portugal (João Brites, Tiago Rodrigues, Sónia Baptista e Miguel Pereira). Com Sara de Castro colaborou na dramaturgia e no guião do espectáculo Madalena. Como curadora, concebeu, coordenou e produziu vários eventos de curadoria discursiva, dos quais destaca o Projecto P! Performance na Esfera Pública (Lisboa, 10-14 Abril 2017) e Em Fluxo: sentimentos públicos e práticas de reconhecimento (Lisboa, 3-5 Abril 2019). 

 

João Pedro Fonseca – Artista e co-director artístico/investigador na ZABRA - Criar entre o controlo e o descontrolo

Os artistas, habituados a gerir cada elemento das suas obras, confrontam-se cada vez mais com ecossistemas que reconfiguram a sua agência criativa. Regras institucionais, algoritmos, limitações técnicas, burocracia e normas invisíveis transformam o gesto criativo: o que antes era autónomo e sensível passa a ser reprogramado por forças externas. Vivemos uma era de autocensura antecipada, em que os processos internos de adaptação tornam-se centrais, e a consciência criativa é redesenhada à medida que o criador deixa de ser engenheiro da sua própria obra e pensamento para se tornar um subsistema dentro de sistemas maiores.

João Pedro Fonseca é um artista e investigador transdisciplinar cujo trabalho explora políticas pós-humanas e filosofias especulativas, com foco na interação entre a tecnologia e a natureza. Atualmente, é co-director artístico da ZABRA - Centro de Investigação de Arte Pós-humana. A sua investigação artística centra-se em temas como a cyberespiritualidade, transcendência, xenomorfismo, fé molecular, inteligências artificiais e nas propriedades imateriais da existência. Desenvolve a sua prática entre performance, instalação, videoarte e cenografia, explorando a relação entre corpo e máquina como eixo conceptual e estética. Entre os seus trabalhos mais relevantes destacam-se Anatomia da Extinção (2019), WIRED DREAMS (2023), NO MORE FIREWORKS (2023) e METAVIOLENCE (2025) e em colaboração com Carincur: Jezabel (2024) e carne.exe (2025). O seu percurso inclui apresentações em instituições e plataformas independentes como TNDM II, CAM - Gulbenkian, Sónar Lisboa, Lux Frágil, Teatro do Bairro Alto, Gnration, ModaLisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado ou Fundação Champalimaud. Colabora regularmente com criadores nas áreas do teatro, ópera e dança, integrando a sua concepção cénica, desenho de luz e vídeo.

 

Mafalda Sebastião —Jurista (Direito da cultura)– Escolhe-se entre a ética e o direito?

Mafalda Sebastião é licenciada em Direito, Pós-Graduada em Direito do Trabalho e em Direito do Património Cultural e Mestre em Direito da Propriedade Intelectual, pela Faculdade de Direito de Lisboa. É coordenadora do Polo Cultural Gaivotas | Boavista, que integra a Loja Lisboa Cultura, da Câmara Municipal de Lisboa. Foi professora de Produção I na Licenciatura em Artes Performativas, na Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa (ESTAL) e é Professora de Direito, no Curso de Teatro, Ramo Produção, na Escola Superior de Teatro e Cinema, do Instituto Politécnico de Lisboa (ESTC). Foi Produtora no São Luiz Teatro Municipal, de 2007 a 2016, e advogada na EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, EM, entre 2003 e 2006. Dedica-se, como jurista, desde 2002, aos ramos do Direito do Trabalho e do Direito da Cultura, incluindo da Propriedade Intelectual.

 

 

 

Ema Ramos

Ema Ramos