Self-Uncensored [Talks on Choice] # 2 — Autocensura do sistema | 29 Março

SELF-UNCENSORED

Self-Uncensored [Talks on Choice]

Ciclo de conversas sobre autocensura e escolha

 

Até que ponto escolhemos livremente quando algoritmos, instituições, emoções e normas moldam as nossas decisões? Até que ponto estamos conscientes dos mecanismos que antecedem a escolha e produzem autocensura — em nós e nos sistemas que habitamos? Self-Uncensored [Talks on Choice] é um ciclo de conversas que propõe um espaço aberto e informal de diálogo entre convidados responsáveis pelas intervenções de provocação e o público, onde a escuta e a divergência possam coexistir, criando pontes entre visões e modos de pensar a escolha e a autocensura. 
Parte do pressuposto de que a liberdade implica reconhecer diferentes experiências e aceitar o erro como parte de um diálogo que torne mais conscientes os mecanismos que antecedem a escolha — individuais e coletivos.

 

Self-Uncensored [Talks on Choice] é um ciclo de conversas que propõe um espaço aberto e informal de diálogo entre convidados responsáveis pelas intervenções de provocação e o público, onde a escuta e a divergência possam coexistir, criando pontes entre visões e modos de pensar a escolha e a autocensura.

Parte do pressuposto de que a liberdade implica reconhecer diferentes experiências e aceitar o erro como parte de um diálogo que torne mais conscientes os mecanismos que antecedem a escolha — individuais e coletivos.

 

Direção e Curadoria: Tânia M. Guerreiro
Moderação: Maria Giulia Pinheiro
Convidados: Adrian Razvan Sandru, Ana Pais, Cristina Planas Leitão, Maria Joana Almeida, João Pedro Fonseca, Josefa Pereira, Mafalda Sebastião e Ricardo Lafuente.
Produção: ORG.I.A
Apoio: DuplaCena
Apoios institucionais: Câmara Municipal de Lisboa – Cultura e República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes

 

 

Encontro 2 — Autocensura do sistema

Institucional, familiar, política e mediática
 

Convidados: Carolina Franco, Cristina Planas Leitão, Maria Joana Almeida, Josefa Pereira, Ricardo Lafuente

Moderação: Maria Giulia Pinheiro 

 

29 Março · 15h-18h
DuplaCena (Regueirão dos Anjos 77 A)
Conversa
Em Português
Entrada Livre, sem marcação

 

Este encontro desloca a questão da escolha e da autocensura para o contexto público, familiar, institucional e mediático.
Interroga de que forma instituições culturais, algoritmos, media e dispositivos de legitimação são pressionados e condicionam o que é visível, financiável e público — e como esses enquadramentos produzem formas de censura indireta estrutural que influenciam indivíduos e sociedade.

 

 

Convidados:

Cristina Planas Leitão - Programadora de Artes Performativas - Pressões e escolhas nas instituições culturais — Entre autonomia e sobrevivência: economia, poder e liberdade nas instituições culturais

Ricardo Lafuente - Ativista dos direitos digitais, designer e profissional de jornalismo de dados - Números, dados, algoritmos na redefinição da verdade e dos comportamentos.

Maria Joana Almeida –  Psicóloga Clínica e Sexóloga - Famílias e autocensura

Josefa Pereira – Coreógrafa e performer - Mapas de Exclusão: Como predefinições de progressão e linearidade na experiência e prática dos artistas tornam-se medidas de exclusão?

• Carolina Franco -  Jornalista independente e diretora do Shifter - (In)dependência dos media — a que custo?

 

Moderação:

Maria Giulia Pinheiro  – escritora, encenadora e agitadora cultural 

 

 

 

INTERVENÇÕES

 

Moderação

Maria Giulia Pinheiro - Escritora, encenadora e agitadora cultural 

 

Maria Giulia Pinheiro (São Paulo, 1990) é artista do encontro, criadora, dramaturga, encenadora e agitadora cultural. Doutoranda na Universidade de Coimbra, recebeu o Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina em 2022. É autora de seis livros de poesia e dramaturgia, atua como diretora artística da FALA e é uma das colunistas do Público Br, caderno do Público voltado ao público brasileiro em Portugal. Criadora de espetáculos teatrais como Viemos Roubar os Vossos Maridos (2025) e A Palavra Mais Bonita(2019–), de projetos performativos como Todo Mundo SLAM (2019–) e Slam no CAM (2025–), também desenvolve espaços formativos como o Núcleo de Dramaturgia Feminista (2017–) e o ZONA lê (2014–). Em 2025/26, foi criadora, curadora, dramaturga e performer do Laboratório de Confluências, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da exposição Complexo Brasil. Mais em www.mariagiuliapinheiro.com

 

 

Convidados e intervenções

 

Cristina Planas Leitão - Programadora de Artes Performativas
Pressões e escolhas nas instituições culturais — Entre autonomia e sobrevivência: economia, poder e liberdade nas instituições culturais
 
Como é que financiamentos, política (cultural), expectativas públicas e lógicas de visibilidade influenciam, de forma explícita ou invisível, as decisões programáticas? Num ecossistema atravessado por constrangimentos económicos, métricas de impacto e agendas políticas, que margem real de liberdade resta às instituições culturais? Que escolhas são hoje possíveis?

 
Cristina Planas Leitão é diretora artística e curadora de artes performativas, com percurso como intérprete, coreógrafa e dramaturga. A sua prática curatorial integrada centra-se no desenvolvimento de formatos criativos sustentáveis e na construção de novas narrativas no campo das artes performativas, com especial interesse por práticas experimentais e híbridas que dialogam com o contexto político e social contemporâneo. Defende uma visão artista-centrada, promovendo condições de trabalho éticas, diálogo crítico e equidade, aliando pensamento artístico a uma visão estrutural e de longo prazo.
Desde abril de 2025 é Diretora Artística da Materiais Diversos, uma das mais relevantes estruturas independentes portuguesas no acompanhamento de trajetórias artísticas nas últimas duas décadas, bem como do seu festival bienal materiais diversos. Em 2026 co-dirige a edição piloto de Mula, no Porto, um festival independente de natureza híbrida que transforma a experiência performativa num percurso convivial entre o pôr do sol e o amanhecer.
Entre 2018 e 2024 integrou o Teatro Municipal do Porto, assumindo sucessivamente funções de programação e, posteriormente, de Direção Artística e Geral do Teatro Municipal do Porto, do DDD – Festival Dias da Dança e do CAMPUS Paulo Cunha e Silva. Concebeu o modelo artístico e operacional do centro de residências CAMPUS, reforçou redes europeias e consolidou políticas de coprodução e internacionalização, dirigindo temporadas multidisciplinares e um festival internacional de dança.
Em 2025 co-fundou a plataforma SUPERNOVÆ com Natalia Álvarez Simó, dedicada à consultoria artística e estratégica e à promoção de boas práticas curatoriais. É também dramaturga de criações de Marco da Silva Ferreira, nomeadora do Prémio SEDA – Salaviza European Dance Award da Fundação Calouste Gulbenkian e coordenadora do Módulo de Investigação Artística da licenciatura em Dança da ArtEZ (Países Baixos).
Enquanto criadora e pedagoga, encara a arte como um gesto de resistência e de afeto, cruzando pensamento crítico, investigação e prática artística na construção de ecossistemas culturais mais sustentáveis e transformadores.
 
 
 
Ricardo Lafuente - Ativista dos direitos digitais, designer e profissional de jornalismo de dados 
Números, dados, algoritmos na redefinição da verdade e dos comportamentos.
 
Como os nossos horizontes coletivos são delimitados por decisões editoriais, na forma de algoritmos e outros aparatos tecnopolíticos. 

 
Ricardo Lafuente é designer, coder, aficionado da cultura hacker e ativista dos direitos digitais. Dirige, com Ana Isabel Carvalho, a agência de data journalism J++ Porto e o estúdio de design Manufactura Independente. Foi professor na Faculdade de Belas Artes da U. Porto e na Escola Superior Artística do Porto, orientando currículos à volta do design, web, interfaces digitais, hardware hacking e teoria do copyright. Esteve presente na fundação e cultivo (e nalguns casos no ocaso) de várias comunidades que vieram proporcionar espaços e tendências que faziam falta: o hackerspace Hacklaviva (2009-2012), os encontros Transparência Hackday Portugal/Date With Data (2010-2020), a Open Knowledge Portugal (2015-2020), a D3 (2017-), o Tilde.pt (2020-) e a Ciberlândia (2022-). Em todas elas esteve envolvido tanto na facilitação como na infra-estrutura técnica, sempre com recurso a ferramentas de software livre. Enquanto co-fundador e atual presidente da D3, tem coordenado a intervenção pública da associação em matérias como os metadados, apps covid, sigilo das comunicações, net neutrality, direitos de autor e, mais recentemente, a polémica Worldcoin.
 
 
 
Carolina Franco -  Jornalista independente e diretora do Shifter  - (In)dependência dos media — a que custo?


Carolina Franco tem escrito sobre cultura, juventude, género e direitos humanos. Acredita cada vez mais que está tudo ligado. É jornalista e diretora do Shifter. Estudou Ciências da Comunicação no Porto, tem uma pós-graduação em Curadoria de Arte e mestrado em Antropologia-Culturas Visuais pela NOVA FSCH, com uma tese sobre representatividade trans* no audiovisual. Entre 2022 e 2025 colaborou com o projeto de literacia mediática PÚBLICO na Escola. O seu trabalho também pode ser lido no Gerador, na Revista MIL, na FlanZine e no PÚBLICO. Co-fundou, em 2024, o projeto Perpétuas.
 
 
Maria Joana Almeida –  Psicóloga Clínica e Sexóloga 
Famílias e autocensura

 
Nascemos numa casa, às vezes num lar, somos recebidos pelas nossas mães, pelos nossos pais, pelas nossas famílias, pelas nossas aldeias, mesmo vivendo em grandes cidades. Cada pessoa aprende o que é o amor, o acolhimento, as frustrações de se estar vivo, nesses contextos familiares, nesses ninhos feitos para nos receber ou que se vão fazendo pela nossa presença. Quem somos - que bebé, criança, jovem, adulto somos – em que pessoa nos tornamos, e nos tornam, resulta de um processo de autonomização, de resistência e de revolta face a um sistema familiar que adoptamos, que censuramos, como vozes críticas, silenciosas, (in)conscientes, que cantamos em coro ou gritamos desafinados. Uma família é sempre mais do que a soma das suas partes, dos seus membros. Somos um “nós”, que oferece oportunidades de crescimento a um “eu”. Cada indivíduo carrega em si as heranças e tradições do seu sistema familiar particular, mas rompe, muda-o, revoluciona-o à sua maneira. Por vezes autocensuramo-nos para não desapontar as expectativas e valores familiares, outras vezes criamos novos sistemas de resistências em que o “eu” cresce e muda toda a engrenagem. A autonomia pessoal e a satisfação individual precisarão sempre do corte com o sistema familiar para recomeçar? Quanto censuramos do “eu” em função do “nós”, dos outros? Com aprendizagens e dúvidas da prática clínica de diversidade sexual e de género, da neurodiversidade e neurodivergência, iremos reflectir a relação da pessoa e dos seus sistemas, da autoconsciência e autocensura face ao outro e ao social.  
 
Psicóloga Clínica e Sexóloga. Passou pela Universidade de Coimbra (2003) e pela Universidade de Louvain-la-Neuve (2000), na Bélgica. Fez um Mestrado na Universidade Lusófona em sexologia (2012) e uma pós-graduação em neurodiversidade na Universidade de Lisboa (2021). É terapeuta EMDR em formação, com intervenções integrativas de apoio em traumas. Trabalhou com Organizações Não Governamentais em direitos humanos e em saúde sexual, como a Associação para o Planeamento da Família (2005), GAT- Grupo de Activistas pelos Tratamentos do VIH/Sida (2008) e com a ILGA Portugal (2010). Trabalha no mundo privado das empresas com a Workplace Options, no apoio a trabalhadores em saúde mental, em formações, em intervenção em crise e de apoio psicossocial e na supervisão de clínicos (2026). É psicóloga colaboradora da UNICEF em países lusófonos de África ocidental e central, com aconselhamento psicológico a trabalhadores internacionais humanitários, formações em saúde mental e preparação de contextos de emergência (2024). 
O trabalho mais regular e estável continua a ser a clínica privada e a consulta do Centro Diferenças da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 onde faz terapia a pessoas individuais, casais e famílias. 
 
 
 
Josefa Pereira – Coreógrafa e performer 
Mapas de Exclusão: Como predefinições de progressão e linearidade na experiência e prática dos artistas tornam-se medidas de exclusão?
 
 

Em vista do tema proposto nesta relação Instituição e Censura - Autocensura do Sistema, uma interrogação sobre a noção de linearidade produtiva do artista, da linearidade como progressão bem-sucedida na carreira e a forma como isso relaciona com fatores como idade, pertencimento territorial, gênero, entre outros mecanismos. 
Questionar e refletir sobre a forma como as instituições predeterminam como ferramentas de in/ex-clusão fatores como: idade do artista, linearidade produtiva progressiva, obsolescência das criações x prevalência de apoios para estréias, noções como artista-emergente x artista-consolidado, questões de gênero, questões de pertencimento geográfico-territorial, se entrelaçam criando mecanismos de invisibilidade, de inacessibilidade, de exclusão e etc.
 
Josefa Pereira (BR/PT) é coreógrafa e performer. Reside e trabalha em Portugal, e também transita entre criações e colaborações no contexto de São Paulo, cidade onde cresceu e se formou artisticamente. Passou pelo PACAP no Forum Dança, e concluiu seu mestrado na DAS Choreography - AHK (NL) como bolseira pela Fundação Gulbenkian. Graduou-se em Dança e Performance na PUC-SP (BR) como bolsista do programa PROUNI. 
Sua atenção concentra-se na escuta e na sensibilidade que emergem das relações e fricções entre as diferentes matérias envolvidas na criação de um gesto coreográfico. Com forte orientação para a prática e a pesquisa, sua abordagem artística parte do uso de materialidades disponíveis, que podem revelar-se fabulosas, encantadas ou monstruosas. Valoriza processos interseccionais, colaborativos e cooperativos, capazes de gerar transformações e ativar outros potenciais políticos e poéticos.
Além de seu trabalho autoral e de atividades de ensino em dança, que incluem aulas e workshops, Josefa  atua como performer e faz colaborações no campo da dramaturgia, desenvolvendo metodologias de acompanhamento junto a artistas em seus diversos processos de criação. 
Atualmente, tem se dedicado à criação e circulação de seus trabalhos, incluindo a trilogia Bestiário PINK e Chama Chama Chama, e de uma nova criação com estreia prevista para 2027. Integra contextos coletivos e colaborativos como Piscina, Matéria Leve e Matilha.
 
 
 

 

Ema Ramos

Ema Ramos