Mostras


Projecto de criação e auto-curadoria artística Integrado no Projecto Self-Mistake Criação.


Self-Curating é um programa de apoio à criação de espectáculos de dança e performance experimentais e independentes, que incentiva e apoia artistas a criarem e a auto-apresentarem os seus trabalhos, em contextos e espaços alternativos aos convencionais e institucionais, mostrando-se ao público, ao vivo, de forma autónoma, flexível e livre.

Concretiza-se em apoio financeiro e consultoria para o seu desenvolvimento, ao mesmo tempo que incentiva a criação de um novo circuito de apresentação de artes performativas. Pretende contribuir para a criação de uma nova dinâmica nas artes performativas, num movimento de libertação dos constrangimentos programáticos actuais, promovendo a recapacitação e a independência dos criadores para a sua liberdade, autonomia e auto-responsabilização dos modos de produção, de partilha e de fruição artística.

 

Oferece

Apoio à criação para apresentações em contextos alternativos através de: Apoio financeiro; consultoria estratégica e de produção para apresentações; apoio na angariação de financiamentos; residências artísticas; apoio em espaços de ensaios e de apresentação; apoio à dramaturgia.

 

NO VISÍVEL

Apoio à partilha de criações em contextos alternativos numa vertente experimental da dança e da performance contemporânea.


Pretende expor, romper e repensar. Num acto de plena atenção e criação. Num acto de resgate ao tempo e às relações. Que seja um refúgio para o desejo e para a aproximação.
É necessário criar mais circuitos de apresentação para que o sistema das artes performativas possa ser livre e equilibrado. Com o apoio à apresentação de espetáculos em contextos independentes, Self-Mistake promove um circuito de apresentação de artes performativas alternativo, que promova a autonomia dos artistas para a criação e a auto-apresentação. Incentiva a auto-curadoria, para que não se dependa de convites para apresentar trabalhos artísticos.

 

Programa 2022

 

 

Diego Bragà
Geografia do Amor
10-12 fevereiro 2022 - Gaivotas 6, Lisboa

Joãozinho da Costa
Fidjo di Tchon
8 março a 9 março 2022 - Gaivotas 6, Lisboa

Bernardo Chatillon
O fazer do Dizer
25 e 26 de Março - CCB, Lisboa

Xana Novais
Como matar mulheres nuas
26 de Março 2022 - Teatro Municipal do Porto/Campo Alegre, Porto

Joana Castro
Darktraces: on ghosts and spectral dances
30 de Abril e 1 de Maio de 2022 - Fundação de Serralves no Festival DDD/Teatro Municipal do Porto


Organização Self-Mistake
Programa Self-Curating tem como Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura (Garantir Cultura - Fundo Fomento Cultural)

 

 

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Diego Bragà
Geografia do Amor
10-12 fevereiro 2022 - Gaivotas 6, Lisboa

 

A partir da herança (i)material de Ricardo Braga
Chamei a esse gesto de “Geografia do Amor”. Um atlas  – catártico, libertador e mágico, como os contos de fadas  –  que celebra xs nossxs mortxs e ancestrais queer.
Este espetáculo parte da herança do Ricardo Wagner Braga, meu tio –  que me perseguia, pela casa, vestido de bruxa – como possibilidade de criação de uma cartografia atualizada, festiva e erótica do mundo. A herança é uma caixa com arquivos pessoais colecionados nas décadas de 1970, 1980 e 1990. O recorte geográfico da coleção contempla dezassete estados brasileiros (Amazonas, Pará, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Ceará, Bahia, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul); e catorze países estrangeiros (Angola, Chile, Estados Unidos da América, Peru, Panamá, Portugal, Canadá, Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra, Israel, Iraque e Suíça). Nesta coleção, entre os objetos, encontram-se: duzentos e cinquenta e quatro cartões-postais de cidades, escritos e com selo, trocados com cerca de cento e sessenta mulheres e homens (80% homens, 90% brasileiros); duzentos e cinquenta cartões-postais de cidades sem selo e assinatura; documentos de identidade; cartas de Amor; cartas de saudade; fotografias pessoais; fotografias de Sereios; folhas de diários; um desenho de uma “Miss Universe”; cartões-postais enviados por mim; cartões de Natal; santinhos de morte; entre outros. Este melodrama propõe ser um gesto utópico de atualização dos arquivos e herança do Ricardo, falecido por decorrências da AIDS, no ano de dois mil e onze. Tal gesto foi feito com Amor e oferendas materiais; imateriais; estéticas; iconográficas; mitológicas; poéticas; espirituais; mágicas e intuitivas.


Conceção, encenação, dramaturgia, coreografia, música & performance: Diego Bragà
Paisagem Sonora, Música & performance: Rui Lima & Sérgio Martins
Pintura cenográfica: Martim Dinis
Pintura dos cristais: Andrea Pazes
Desenho de Luz: Teresa Antunes
Produção musical do EP Geografia do Amor: Chico Neves| Estúdio304
Apoio: Fundação GDA e Self-Mistake

 

Self-Mistake/Self-Curating tem como Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura (Garantir Cultura - Fundo Fomento Cultural)

 


Joãozinho da Costa
Fidjo di Tchon
8 março a 9 março 2022 - Gaivotas 6, Lisboa

Crítica a conduta das sociedades em relação ao lixo que elas acumulam e aos comportamentos inconscientes dos cidadãos, a peça é construída a partir da chegada à Bissau de um guineense que mora na europa. Essa personagem está de regresso ao seu país de origem após 18 anos, desejoso por conhecer e redescobrir todos os lugares. Num cenário que simula os lixos espalhados pelas ruas de Bandim, com roupas compondo a acumulação, ele surge a entregar o seu lixo ao africano para deitar fora. É por meio desse ato, uma tentativa de se ilibar da responsabilidade pelo lixo que se vai amontoando, que surgem as histórias da rapariga bonita que caminha pelas ruas em busca de um rapaz com dinheiro e condição de a sustentar; do funcionário do Ministério da Justiça repleto de notas de Francosefa nas mãos e despreocupado com todos que o rodeiam; o homem que faz do seu ganha pão guardar lugar nas filas da Embaixada Portuguesa e conhecido por todos como o cônsul negro e a ida de um jovem a Imigração tratar de documentos através de um cunha que trabalha na instituição. Invoca-se no palco os corpos em movimento que tomam a forma de pinceis e pintam com as suas danças as telas em branco, tendo como fundo musical melodias guineenses e projeções de vídeos e imagens das ruas de Guiné-Bissau.
 
 
Criação: Joãozinho da Costa
Interpretes: Luis Mucauro, Rolaisa Embaló, Joãozinho da Costa
Dramaturgia: Madiu Furtado
Apoio à Dramaturgia: Rui Catalão
Apoio artístico: Giovanni Lourenço
Luzes: João Chicó Produção: Gonçalo Rocha
Co-produção: ARTEPÓLON ASSOCIAÇÃO, Centro Cultural de Belém, O Espaço do Tempo & Rua das Gaivotas 6/ Teatro Praga, Câmara Municipal da Moita – CEA
Apoios: Fundação Calouste Gulbenkian, Rua das Gaivotas 6, Self-Mistake

 

Self-Mistake/Self-Curating tem como Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura (Garantir Cultura - Fundo Fomento Cultural)


Bernardo Chatillon
O fazer do Dizer
25 e 26 de Março - CCB, Lisboa

«Como se comunica o que não se diz? Enquanto vivi em Berlim, fui privado de falar na minha língua, o português. A sensação de se estar preso às palavras (e ao corpo que isso produz) é a matriz principal do projeto O Fazer do Dizer. Quero abordar e explorar formas de desocultar ou desvendar gestos, pensamentos e movimentos que surgem na tentativa de tradução.
 
 
Conceito e coreografia:
Bernardo Chatillon
Performers: Alexandra Bernardo (canto lírico) e Bernardo Chatillon (dança/teatro)
Acompanhamento conceptual: Fernanda Eugénio
Consultoria: Sandra Noeth Música Vítor Rua
Cenografia: Daniel Fernandes
Assistente de cenografia: Filipe Cardinal
Figurinos: Susana Santos
Acompanhamento e assistência à criação: Ana Rocha
Desenho de luz: Carlos Ramos
Produção executiva: Cláudia Teixeira
Apoio à criação: Trust Colective, Self Mistake, O Espaço do Tempo
Apoio: Insufláveis KukusKids
Agradecimentos: Abílio Nunes, Aldeia Barril do Alva, Tereza Madeira, John Noble, Eva Queirós de Matos e Antónia Teixeira

 

Self-Mistake/Self-Curating tem como Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura (Garantir Cultura - Fundo Fomento Cultural)


Xana Novais
Como matar mulheres nuas
26 de Março 2022 - Teatro Municipal do Porto/Campo Alegre, Porto

Como matar mulheres nuas questiona a obra de Sade numa perspetiva incomum aos olhos da cena, da realidade e da imortalidade. Abrimos assim um espaço para dar voz às mulheres que narram os prazeres mais absurdos da libertinagem quase nunca consideradas quando falamos de 120 dias de Sodoma.  O que interessa reter são os atos propostos por estas mulheres, a beleza libertina e feminista, o risco de perceber que o destino do nojo é combatido com a beldade, o encanto e o prazer. Em Como Matar Mulheres Nuas colocamos à prova a dor e os seus limites. A dor que para as personagens de Sade deve conquistar a apatia, que é um fim maior para o libertino – a própria elevação, o próprio ápice que temos de nos esforçar de forma apática para atingir.  Xana Novais tem vindo a desenvolver os seus trabalhos através de uma coleção de testes mentais e físicos que propõe a si própria, num limbo constante entre a ficção e a realidade com pormenores extremamente autobiográficos. Nesta pesquisa procura perceber como é que pode tornar sua obra impossibilitada de morrer, criando um safe space peculiar a si mesma, um espetáculo que faz refletir sobre a possibilidade de nos marcarmos verdadeiramente com uma prática artística desta vez não só no seu corpo mas também no corpo das suas intérpretes.
 
 

 

Conceito e direção artística: Xana Novais 
Acompanhamento dramatúrgico: Tatiana Rocha, Piny
Produção artística e executiva: Ângela Cardoso, Valter Gomes
Produção executiva (2018-2021): Diogo Bessa, Xana Lagusi
Interpretação: Amanda Bailey, Ana Rita Xavier, Carincur, Fedra Ferreira, Patrícia Borges, Tita Maravilha, Xana Novais 
Contribuição performativa: Ana Lu, Elizabete Francisca, Piny, Oscar Cutello, Rafael Ayres, Vanda Vila Nova
Cenografia e figurinos: Xana Novais 
Desenho de luz: Rui Barbosa 
Fotografia: Diogo Bessa
Operação de vídeo: Rita Soeiro
Técnico de suspensão: Binho Barduzzi
Tatuadora: Patrícia Borges
Desenho e operação de som: Carincur 
Apoio à residência: STUDIO THOR Belgium, CRL - Central Elétrica, OPART | Estúdios Victor Córdon, A Bela Associação, Armazém 22, Teatro Municipal do Porto, Câmara Municipal de Lisboa, Polo Cultural Gaivotas
Apoio à residência técnica: Centro de Experimentação Artística | Município da Moita, Casino Solverde


Self-Mistake/Self-Curating tem como Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura (Garantir Cultura - Fundo Fomento Cultural)

Espetáculo inspirado nas narrações de 120 dias de Sodoma de Marquês de Sade.

 


Joana Castro
Darktraces: on ghosts and spectral dances
30 de Abril e 1 de Maio de 2022 - Fundação de Serralves no Festival DDD/Teatro Municipal do Porto

 

“To be haunted by a ghost is to remember something you’ve never lived through, to have the memory of what has essentially never been present.”
Jacques Derrida
 
Uma dança na desaparição do seu próprio rastro. Sem pertença. O que foi e já não é materializa-se em corpos que dão lugar às suas múltiplas existências, fantasmas de si, já extintos ou por vir, que tanto pertencem à matéria como à memória, à imaginação e à realidade percecionada, ao visível e ao oculto.
Partilham de uma solidão existencial entre a vida e a morte.
 


Conceção, direção artística, espaço cénico e paisagem sonora: Joana Castro
Co-criação e interpretação: Ana Rita Xavier, André Mendes, Maurícia | Neves e Thamiris Carvalho
Desenho de luz: Mariana Figueroa
Co-criação da paisagem sonora: Rafael Maia
Figurinos e caraterização: Silvana Ivaldi
Apoio e residências artísticas: Balleteatro, CAMPUS Paulo Cunha e Silva, Devir Capa, Pro.dança, Visões Úteis, Reitoria da Universidade do Porto, Teatro de Ferro, Companhia Instável e Serralves – Museu de Arte Contemporânea
Residência de Coprodução: O Espaço do Tempo
Apoio à gestão financeira: Produções Independentes
Apoio à Criação: Fundação Calouste Gulbenkian
Co-produção: Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Self-Mistake e Cine-Teatro Louletano

 

Self-Mistake/Self-Curating tem como Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura (Garantir Cultura - Fundo Fomento Cultural)

 

 

 

Imagem de Darktraces de Joana Castro. Fotografia de Pedro Sardinha

Imagem de Darktraces de Joana Castro. Fotografia de Pedro Sardinha